terça-feira, 5 de junho de 2012

IBAMA em Goiás tem sucesso na Reintegração de Psitacídeos à natureza


Por Leo Caetano e Luiz Alfredo

Sempre escutamos que animais que são criados por muitos anos em cativeiro não tem capacidade para sobreviverem sozinhos na natureza. Entretanto, o IBAMA pensa diferente, e executa no estado de Goiás o Projeto ASAS – Áreas de Soltura de Animais Silvestres, desde 2008. Pela nossa experiência de anos com manejo de fauna silvestre, a reabilitação e soltura de passeriformes sempre obteve grande sucesso. Porém, tínhamos um desafio: era possível devolver à liberdade araras criadas em cativeiro?
            Tentando responder esta pergunta, iniciamos um projeto piloto com a espécie arara-canindé (Ara ararauna). Foi feito treinamento de 30 indivíduos, todos criados em cativeiro ilegalmente e que foram apreendidos ou entregues espontaneamente. Estas araras foram examinadas, em parceria com o SENAI/Anápolis e com a UFG, e algumas foram tratadas pela Faculdade Anhanguera – Anápolis. Posteriormente, passaram por treinamento de vôo, para fortalecimento muscular e foi oferecido o alimento que elas encontrariam na natureza. Além disso, tínhamos que condicioná-las a não procurar humanos.
Após 1 ano de treinamento, estas 30 araras foram encaminhadas ao Hotel Fazenda Cabanas dos Pirineus, onde um dos proprietários, Miguel Hadj, abraçou o desafio de conservar a natureza no mundo atual e construiu um recinto do tipo ‘voadeira’, com 10 metros de comprimento, onde elas poderiam fortalecer ainda mais a musculatura. Antes da soltura, todas foram sexadas e identificadas com anilhas individuais. Além disso, tatuamos uma mancha preta em sua face branca. Marcamos o lado direito nos machos e o esquerdo nas fêmeas, para auxiliar na visualização dos sexos com o uso de binóculos pelos monitores. Após quase 6 meses na voadeira, em julho de 2011, o grande dia chegou, e o viveiro teve a porta aberta.
Aos poucos, uma a uma foi saindo do recinto, e explorando o ambiente ao seu redor. Pela primeira vez após anos de cativeiro, era visível a alegria dos animais de reencontrarem-se livres, sem grades ou telas, aptas a voarem, o que percebemos pelas vocalizações estridentes características da espécie.
Duas das araras, um pouco mais jovens, não saíram de imediato do recinto. Apesar de possuírem a capacidade para voar, não se sentiam confiantes para sair do local seguro. Entretanto, não desistimos.
 Depois da soltura, o IBAMA iniciou o monitoramento do comportamento dos animais e, cada momento registrado demonstrava um grande passo para o projeto. Registramos o primeiro vôo longo, o primeiro buriti quebrado, o primeiro casal formado. Verificar comportamentos de acasalamento nesses animais é um grande resultado e agora, nesta temporada de reprodução, quem sabe teremos o primeiro filhote?!
Júlio Cesar, aluno de biologia, se tornou voluntário para pesquisar o sucesso do projeto, e no Hotel Fazenda caminhava quilômetros atrás das araras, registrando eventos de sucessos.
            Nossos registros demonstram que das 30 araras, apenas duas vieram a óbito: uma por provável picada de cobra e outra de causa indefinida ainda (estamos aguardando o resultado da necropsia), e um animal teve que ser recolhido, pois apresentava comportamentos muito dóceis. Infelizmente, tivemos informações de recapturas de 3 indivíduos que estão sendo investigadas. E pode ter acontecido com outras. Até março/2012, 24 araras eram registradas ainda na área durante os monitoramentos, entretanto, boa parte do dia elas “desapareciam” atrás de comida (um comportamento natural, pois muitas podem voar mais de 10 km em busca de alimentos).
Iniciamos visitas em propriedades vizinhas, onde apresentamos o projeto e pedimos informações sobre as araras soltas.  Muitos tem nos repassado informações preciosas e contribuído com o projeto. Com esta ajuda de vizinhos, já conseguimos identificar 3 prováveis locais de alimentação, um deles a mais de 7 km do ponto de soltura. Após 10 meses de soltura, apenas 14 ainda utilizam o Hotel Fazenda como dormitório, as demais provavelmente localizaram um local mais “interessante” como moradia durante esta nova fase de suas vidas.
            Desta maneira, caso você veja animais marcados como nestas fotos, nos municípios de Cocalzinho e Corumbá de Goiás, entre em contato com o IBAMA, através dos telefones (62) 3946 8140 ou (62) 9679 5137. Pode também enviar um email para leo.silva@ibama.gov.br ou luiz.baptista@ibama.gov.br


FOTOS 1 a 4 e 8 Miguel Hadj
Fotos 5  a 7 Laura Wiederhecker

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